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Saúde

Brasil tem 1.254 mortes em 24h causadas pela Covid-19

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presidente jair bolsonaro fala com repórteres e usa máscara
Reprodução/TV Brasil

O presidente Jair Bolsonaro é um dos 20.229 novos casos da Covid-19 no País


De acordo com levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (7), 1.254 novos óbitos causados pela  Covid-19 foram registrados nas últimas 24 horas. Agora, o total de mortes no Brasil é de 66.741, o que corresponde ao crescimento de 1,8%. A taxa de letalide é 4%.


Entre 45.305 novos casos de novo coronavírus (Sars-CoV-2) está o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que confirmou hoje diagnóstico positivo para Covid-19 . O total foi para 1.668.589 casos, com crescimento de 2,7%. 

A contagem de casos realizada pelas Secretarias Estaduais de Saúde inclui pessoas sintomáticas ou assintomáticas; ou seja, neste último caso são pessoas que foram ou estão infectadas, mas não apresentaram sintomas da doença.

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Na última segunda-feira (7), o  país ultrapassou a marca dos 65 mil óbitos causados pela Covid-19. O total era de 65.487, com 620 registros em 24 horas. Os casos do novo coronavírus fecharam em 1.623.284, sendo que 20.229 considerados novos casos.

O ranking de número de mortes segue liderado pelo estado de São Paulo, que tem 16.475 óbitos causados pela Covid-19. O Rio de Janeiro continua em segundo lugar, com 10.881 mortes.

Os estados que registram maior número de casos são: São Paulo (332.708), Ceará (124.952), Rio de Janeiro (124.086), Pará (116.152) e Maranhão (92.088).


Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

O que aprendi como voluntário de vacina de Oxford

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BBC News Brasil

Vacina
Getty Images/BBC

A Universidade de Oxford possui uma das mais promissoras vacinas contra covid-19, mas não é a única

vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford (Reino Unido) contra a covid-19 até agora produziu resultados descritos como “promissores”. Richard Fisher é um dos voluntários que foram inoculados com esta vacina experimental. Confira abaixo o relato feito por ele.

Estou na sala de espera de um hospital e minha respiração deixa meus óculos embaçados por causa da máscara de proteção. Minutos antes, corri pela rua em um dia muito úmido para evitar chegar atrasado para o compromisso. Médicos e enfermeiros me deixaram para trás com seus passos apressados — ​​e isso me fez notar que minha condição física não é lá essas coisas.

A última vez que estive no Hospital St. George, no sul de Londres, foi para o nascimento da minha filha. Agora, a situação é muito diferente. Sinto através da minha máscara o cheiro do alvejante usado para limpar o chão. O assento ao meu lado é coberto com fita adesiva para manter a distância física.

Dois funcionários do hospital, com máscaras e equipamentos de proteção pessoal, aproximam-se com uma placa que diz: “Teste de vacina “. Parecem taxistas aguardando passageiros na área de chegada de um aeroporto.

O cartaz é para mim. Eu os sigo devagar, como em uma procissão, dois metros atrás, enquanto eles conversam.

Estou aqui para avaliar se posso ser voluntário em um dos ensaios de vacina ChAdOx1 nCoV-19 . Nas próximas semanas, vou saber como é participar de um dos mais promissores esforços para combater a pandemia.

De todos os testes de possíveis vacinas para a Covid-19 , o de Oxford é um dos mais avançados.

Em 20 de julho, os pesquisadores da universidade britânica anunciaram resultados iniciais promissores, com base em um estudo com 1.077 pessoas. A vacina, de acordo com esses dados, é segura e gera uma resposta do sistema imunológico .

“Ainda há muito trabalho a ser feito… Mas esses resultados iniciais são promissores”, disse Sarah Gilbert, a cientista que liderou o ensaio.

Os resultados finais serão conhecidos apenas na fase 3 do ensaio clínico — milhares de voluntários vão participar desse estágio no Reino Unido, no Brasil e na África do Sul.

É para essa fase de larga escala que me ofereci para ser voluntário .

Pesquisadora em laboratório

Getty Images
A vacina de Oxford usa uma versão atenuada de um vírus da gripe que infecta chimpanzés

Avaliação

Minha jornada aqui começou em uma noite de maio, quando vi um tuíte de um filósofo da Universidade de Oxford sobre um teste para uma vacina. Ele se ofereceu.

Enquanto minha esposa dormia ao meu lado, decidi preencher o formulário de voluntariado no site da universidade, e esqueci do assunto.

Algumas semanas depois, aqui estou eu, em uma sala de neurologia agora destinada ao teste de vacina , quando vejo um dos cientistas de Oxford, Matthew Snape, em uma tela explicando a base científica dos testes e possíveis efeitos colaterais.

No total, haverá 10 mil voluntários, divididos de maneira aleatória em dois grupos, diz Snape. Um receberá uma vacina que não oferece proteção contra o novo coronavírus e outro será inoculado com a vacina de Oxford.

A vacina usa uma versão leve de um vírus da gripe que infecta chimpanzés.

É uma técnica na qual os cientistas de Oxford estavam trabalhando antes da pandemia para combater a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) e a ebola. É por isso que eles conseguiram avançar tão rapidamente quando reorganizaram seu trabalho em resposta à Covid-19.

Snape explica como eles desenvolveram a vacina. Primeiro, eles pegaram o vírus que ataca os chimpanzés e o modificaram geneticamente para que não possa se desenvolver em seres humanos.

Eles então incorporaram genes que criam proteínas a partir do vírus covid-19, chamadas glicoproteínas. Os cientistas esperam que essas proteínas gerem a resposta de imunidade necessária para derrotar o novo coronavírus.

O grupo que não receber esta vacina será inoculado com outra versão chamada MenACWY (também Nimenrix ou Menveo), que é usada no combate a meningite e sepse.

Logo da Universidade de Oxford, e uma seringa

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‘Ainda há muito trabalho a fazer’, disse Sarah Gilbert, a cientista que liderou o estudo de Oxford

Esta é a vacina “controle” que permitirá fazer comparações com os efeitos da outra.

Os cientistas escolheram uma vacina em vez de um placebo inócuo para o grupo de controle por um motivo claro: garantir que todos os voluntários experimentem os efeitos colaterais de uma inoculação e não possam deduzir em que grupo estão.

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A vacina MenACWY é usada em adolescentes no Reino Unido desde 2015. Também é oferecida a quem viaja para áreas com alto risco de infecção, como a África Subsaariana. E a Arábia Saudita exige certificados de vacinação MenACWY de todos os participantes da peregrinação anual à Meca.

Depois de assistir ao vídeo, perguntaram-me sobre detalhes da minha história médica ou quaisquer sintomas anteriores de Covid-19. Os cientistas tiraram amostras de sangue e eu tive que assinar um documento que estipula várias obrigações: por exemplo, vou permitir que fotos do meu braço inoculado sejam publicadas. Também não posso doar sangue. As mulheres devem se comprometer a usar métodos contraceptivos durante o estudo.

Teste com vacina

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Em 20 de julho, os pesquisadores de Oxford anunciaram resultados iniciais ‘promissores’, mas os testes foram feitos em apenas 1.077 pessoas

Cheguei em casa me sentindo mais informado, mas também um pouco mais nervoso do que antes.

Como em qualquer ensaio clínico, os voluntários devem estar cientes dos possíveis efeitos colaterais, dos mais leves (náuseas, dores de cabeça etc) aos mais graves (como a síndrome de Guillain-Barré, que pode causar paralisia e ser fatal).

Eu sei que os riscos são pequenos, mas devo confessar que a leitura da lista de possíveis efeitos colaterais é angustiante.

Também nos informaram sobre “possibilidades teóricas” de que a vacina agravaria os sintomas da Covid-19.

Alguns estudos observam que os animais que receberam vacinas experimentais para Síndrome Respiratória Aguda Grave ( Sars ) apresentaram aumento da inflamação nos pulmões. Algo semelhante ocorreu em ensaios feitos em ratos com vacinas experimentais para Mers.

Mas esses efeitos não foram observados em testes com animais da vacina de Oxford.

Sei que milhares de pessoas já foram vacinadas nas fases anteriores do ensaio e não sofreram consequências graves, como confirmado pelo estudo publicado na revista científica The Lancet em 20 de julho (e quero deixar absolutamente claro que nenhum dos possíveis efeitos colaterais justifica os argumentos infundados do movimento antivacina).

Frascos de remédios

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‘O órgão regulador é quem vai decidir se a vacina é segura e se será usada com o público’, disse John Bell, professor de medicina da Universidade de Oxford.

Dia de vacinação

Uma semana depois, em 3 de julho, retornei à mesma sala do Hospital St George, onde fiz minha primeira avaliação. Deveria ser o dia da inoculação, mas minha grande preocupação é com a possibilidade de ser posto pra fora do teste.

A médica Eva Galiza saiu da sala há 10 minutos e ainda não voltou. Pouco antes, ela explicou que era o último dia do ensaio clínico no St George e que a equipe estava ficando sem vacinas.

Galiza é pesquisadora em vacinas pediátricas. Para garantir resultados confiáveis ​​do estudo, médicos e voluntários desconhecem se a vacina injetada é contra o coronavírus ou a vacina de controle.

Quando Galiza sai da sala, fico sozinho com meus pensamentos. Na Inglaterra , onde eu moro, é o dia em que muitas regras de confinamento foram abrandadas e as lojas, de barbearias a bares, já podem reabrir.

Penso em amigos e familiares em outras partes do mundo, cada um experimentando diferentes estágios dessa pandemia. Enquanto alguns países comemoram o controle de infecções, outros continuam em uma curva ascendente no número de mortes.

Pesquisadora voluntária brasileira do teste de vacina Oxford no Brasil

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O teste da vacina em Oxford foi ampliado para incluir milhares de voluntários no Brasil e na África do Sul.

No ano passado eu morava em Massachusetts, nos Estados Unidos. No dia da minha consulta em St. George, as notícias que vinham dos Estados Unidos eram bem desencorajadoras, com mais de 40 mil novos casos de infecção em 24 horas.

Também ouvi os últimos e altos números de infecções e mortes no Brasil, para onde um amigo e sua esposa voltaram recentemente.

Os surtos no Brasil são a razão pela qual os pesquisadores de Oxford expandiram seus ensaios para incluir voluntários no Rio de Janeiro, São Paulo e outro local no norte do país. Eles também vão adicionar voluntários na África do Sul.

A triste verdade é que é menos provável que um voluntário como eu, no Reino Unido, ajude os cientistas a determinar a eficácia da vacina. Aqui, pelo menos por enquanto, estou menos exposto a uma possível infecção do que alguém no Brasil ou na África do Sul, onde a pandemia continua a se espalhar. Para o bem de todos, alguns dos 10 mil voluntários do teste precisarão entrar em contato com o vírus.

Quando Galiza retorna ao quarto, ela carrega um frasco na mão. Não consigo ver seu rosto atrás da máscara, mas seus olhos sorriem. Após semanas de espera e depois de uma breve inoculação, a vacina finalmente circula no meu sangue.

Buzón en una calle de Londres

Richard Fisher
Os Correios britânicos instalaram caixas de correio prioritárias para o envio de amostras de voluntários e testes da covid-19

Há 50% de chance de eu ter recebido a vacina Oxford para coronavírus e 50% de ter sido a vacina controle, e não saberei qual delas eu tinha até o final do estudo.

Cotonetes e esperas

Após a inoculação, chegou o estágio da longa expectativa. Todos os voluntários foram divididos em pequenos grupos para monitorar possíveis sintomas.

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Para mim, o próximo passo vem sete dias depois — e não é exatamente algo que me anima.

Tenho de esfregar minhas amígdalas com um cotonete por 10 segundos, sem tocar na língua ou dentes — uma tarefa nada fácil — e depois colocar o mesmo cotonete no nariz e introduzi-lo até onde der. Li que, se você fizer isso corretamente, deve sentir que está praticamente “escovando o cérebro”. Acho que essa imagem é um pouco exagerada, mas devo confessar que esse teste não é algo agradável.

Depois de coletar a amostra, preciso colocar o cotonete em um plástico fechado dentro de uma caixa selada que diz: “substância biológica da categoria B”. Então, essa caixa é enviada, pelo correio, usando uma caixa postal de remessa prioritária.

Essa caixa postal foi introduzida recentemente para facilitar o teste do covid-19. Alguns dias depois, recebi uma mensagem de texto informando que meu teste para o coronavírus havia dado negativo.

Toda vez que faço um teste, tenho de preencher um formulário com perguntas sobre meu comportamento na semana anterior. Eu usei transporte público? Com quantas pessoas que não moram em minha casa eu passei por mais de 5 horas?

Vou repetir essa rotina semanal por pelo menos quatro meses. E eles vão tirar amostras de meu sangue no hospital até o final do próximo ano.

Essa etapa longa e necessária é aquela que muitas pessoas, incluindo vários políticos, não entendem. Você não pode investir grandes somas de dinheiro para acelerar esse processo.

A vacina de Oxford já mostrou resultados promissores, mas apenas em mil pessoas. A aprovação do uso de uma vacina para milhões de pessoas requer um nível de confiança que só pode ser obtido com paciência e muito mais dados.

Alguns profissionais de saúde se lembrarão de vários casos trágicos. Em 1976, por exemplo, devido ao medo de um novo surto de influenza A (H1N1) ou gripe suína, o governo dos EUA acelerou os testes de novas vacinas e milhões de pessoas foram inoculadas.

A temida pandemia nunca chegou, mas estima-se que 30 pessoas morreram devido a efeitos colaterais adversos. Esses erros podem ter contribuído para o crescimento do movimento antivacina.

As autoridades de saúde com competência para aprovar ou rejeitar vacinas promissoras têm uma enorme responsabilidade em suas mãos. Como disse o cientista John Bell, professor de medicina da Universidade de Oxford, em um programa da BBC, não podemos ter o luxo de esperar pelas evidências definitivas que normalmente seriam necessárias em ensaios clínicos desse tipo.

Um voluntário recebe a vacina de Oxford na África do Sul

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Um voluntário recebe a vacina de Oxford na África do Sul. Confirmar a eficácia da vacina na prevenção de infecções requer testá-la em países com um número alto de casos, como o Brasil

“A tarefa mais difícil é a do órgão regulador que terá que decidir se a vacina é segura e será usada com o público. Se a resposta for sim, haverá uma fila de três bilhões de pessoas que desejam a vacina. Eu não gostaria de ter esse emprego”, afirmou Bell.

Outro fator importante é que a vacina aprovada pode não ser a panaceia que muitos esperam, capaz de acabar com a doença. Em outras palavras, a vacina pode não matar completamente o vírus, mas apenas mitigar seus efeitos.

Essa proteção é valiosa, mas, aconteça o que acontecer com os testes, devemos aceitar que esse é um problema de longo prazo e que o vírus pode ficar conosco para sempre.

No meu caso particular, pensar que há 50% de chance de eu ter recebido uma vacina para o coronavírus me dá alguma tranquilidade, mas isso não vai fazer eu mudar meu comportamento. Os pesquisadores explicaram isso claramente.

Até que tenhamos certeza de que existe uma vacina eficaz, continuarei a respeitar as regras de distanciamento para proteger minha esposa, minha filha, o resto da minha família, meus amigos e todos que encontrar na rua.

Tenho o prazer de ter a oportunidade de desempenhar um papel muito pequeno, juntamente com 10 mil outros voluntários do estudo.

A rapidez com que os cientistas de Oxford reagiram à crise e seu grande compromisso me impressionam.

Antes da pandemia, muitos desses médicos e pesquisadores trabalhavam em diferentes campos relacionados ao desenvolvimento de vacinas, incentivados por sua curiosidade ou por uma missão individual. Eles nunca pensaram que as expectativas de bilhões de pessoas iriam depender deles.

Talvez os testes com a vacina de Oxford não deem os resultados que muitos esperam. Pode ser que ele definitivamente não atenda aos requisitos de segurança e eficácia necessários para combater a pandemia.

Mas é assim que a ciência funciona, em um desenvolvimento coletivo de longo prazo que pode ter resultados negativos. Nunca apreciei a importância desse processo tanto quanto agora.

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

“O inimigo é a Covid-19, não há tempo para brigas políticas”, diz infectologista

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BBC News Brasil

Fauci
Reuters/BBC

Fauci listou as razões para o aumento de infecções nos Estados Unidos

Donald Trump não entende completamente por que sua popularidade não é tão alta quanto a do cientista-chefe da equipe especial da Casa Branca contra o coronavírus, Anthony Fauci .

“Ele tem essa alta aprovação, então por que não a tenho? É impressionante”, disse Trump nesta semana.

Não foi o primeiro ataque do governo a Fauci, mas o  maior especialista em doenças infecciosas do país e principal epidemiologista da Casa Branca tenta se afastar dos tipos de controvérsias que ele descreve como uma distração do problema real: a pandemia Covid-19 .

“Eu me concentro apenas no meu trabalho”, disse ele à BBC em mais de uma ocasião nesta entrevista, na qual evitou qualquer atrito com a Casa Branca .

E, sem querer entrar em polêmica com ninguém, explicou os motivos que, segundo ele, levaram os Estados Unidos a um recrudescimento no número de casos confirmados por dia e listou cinco regras fundamentais que a população deve cumprir para que a curva de infecção seja achatada.

Confira a entrevista de Fauci a Razia Iqbal, do programa Newshour, da BBC.

Trump e Fauci.

Getty Images
Trump diz que tem um bom relacionamento com Fauci

BBC Vamos falar do número de infecções e mortes nos Estados Unidos.

Anthony Fauci Quando você olha para a dinâmica das curvas de infecção em nosso país, tivemos muitos casos quando a região metropolitana de Nova York foi o epicentro do surto.

Daí as curvas começaram a descer, mas não como aconteceu em outros países, principalmente na União Europeia e até no Reino Unido. Nunca chegamos a um ponto realmente baixo, mantivemos cerca de 20 mil casos por dia. E ficamos assim por algumas semanas.

O que aconteceu depois, quando suspendemos algumas restrições para reviver a economia, em certas regiões do país, como em alguns Estados do sul, como Flórida, Texas, Arizona ou sul da Califórnia, os contágios começaram a aumentar. Assim, a base passou de 20 mil casos diários para 30 mil, 40 mil, 50 mil, 60 mil e até 70 mil.

As mortes, que haviam caído, começaram a aumentar e agora temos aproximadamente mil mortes por dia.

Ainda temos um número considerável de casos novos, então estamos tentando controlar isso, começando a achatar a curva. Mas nossa preocupação é que outros Estados de outras regiões pareçam estar passando pelo que os Estados do sul passaram.

Máscara em apoio a Fauci

EPA
Trump diz que não entende por que Fauci é mais popular que ele

BBC Existem 12 Estados nos EUA registrando mais de 100 mil casos no momento. Claramente, é um equilíbrio muito difícil, além disso, a emergência de saúde é global. O que o senhor acha que poderia ter sido feito de maneira diferente?

Fauci O que estamos tentando fazer, e espero que tenhamos sucesso, é reunir diretrizes para as quais trabalhamos com a equipe especial de coronavírus da Casa Branca. Essas diretrizes, que devem ser usadas pelos Estados, são essencialmente um guia passo a passo para a abertura cuidadosa e prudente das restrições.

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Um dos problemas é que alguns Estados, não vou mencioná-los, não fizeram essa abertura passo a passo quando viram uma diminuição consistente no número de casos em um determinado período de dias.

Se isso for feito com êxito, permanecemos na fase 1 por um tempo e depois passamos para a segunda e a terceira fases. O que aconteceu em alguns Estados é que alguns dos marcos de controle foram ignorados e eles passaram para a fase seguinte, o que de fato causou o ressurgimento dos casos.

Em outros lugares, os Estados tentaram realizar esse processo adequadamente. No entanto, houve populações que não seguiram as recomendações para evitar multidões,  usar máscaras e manter o distanciamento social, e isso também produziu novos surtos.

Fauci com máscara

Reuters
Fauci sustenta que o uso de máscaras é muito importante

BBC Mas não foi um problema de comunicação? Embora sua equipe tenha preparado um plano sobre como os Estados deveriam reabrir, a mensagem enviada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeria que a reabertura não era um problema.

Fauci Não vou comentar sobre o presidente dos Estados Unidos , apenas estou apontando quais são os fatos e a situação pela qual os Estados Unidos estão passando. Ao contrário de outros países, tradicionalmente em nossa história, os Estados têm muita autonomia.

Obviamente, nós, autoridades da saúde , como é o meu caso e dos meus colegas da equipe especial, somos muito claros sobre o que fazer e falamos sobre isso repetidamente. E esperamos que os Estados vejam os resultados de não seguir as recomendações e que comecem a implementá-las, mas isso ainda é algo que deve acontecer.

BBC Entendo que o senhor não queira criticar diretamente o presidente dos Estados Unidos, mas há uma ligação clara entre o senhor e ele. Na verdade, Trump comentou recentemente sobre o nível de popularidade que o senhor tem e ele não.

Fauci Acredito que falar sobre esse tipo de coisa é realmente uma distração do que realmente estamos tentando fazer. Prefiro não comentar e focar no meu trabalho e minhas responsabilidades como agente de saúde pública.

BBC Mas o senhor também é uma pessoa conhecida há mais de quatro décadas como interessada em verdade e transparência. Então, quando a mensagem vinda do centro do poder político nos Estados Unidos sugere que o senhor está confundindo as pessoas, acho que se trata de algo de que o senhor queira falar.

Fauci Fiz isso e acho que o público não presta atenção a esse assunto. Tive a oportunidade de falar sobre isso muitas vezes. Mas, novamente, todas essas idas e vindas da crítica sobre quem estava certo e quem está errado é realmente uma distração da qual eu quero me afastar. Tento manter o foco na mensagem que eu carrego consistentemente.

Fauci com Trump

Reuters
Desde o início da pandemia, a imprensa americana acompanha a relação entre Fauci e Trump

BBC Então, vamos nos concentrar nas mensagens relacionadas à saúde pública: o uso da hidroxicloroquina. Esta é uma droga que não só foi mencionada pelo presidente, mas é promovida no Twitter e em vídeos no YouTube por médicos que a chamam de cura milagrosa. O que sabemos sobre o uso da hidroxicloroquina?

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Fauci Sabemos que bons estudos, e por bom estudo, quero dizer um com controle aleatório no qual os dados são confiáveis, nos fornecem dados que mostram que o uso da hidroxicloroquina não é eficaz no tratamento da covid-19.

BBC E sobre o uso de máscaras? Há alguns meses, quando foi decidido tornar obrigatório o uso de máscaras nos Estados Unidos, o presidente Trump disse várias vezes que ninguém deveria ser preso ou até ser multado se decidisse não usá-la. Do seu ponto de vista, é absolutamente necessário que as pessoas usem máscaras?

Fauci Isso é absolutamente necessário. Existem cinco elementos fundamentais que comunicamos de forma consistente e um deles é o uso constante de uma máscara. Os outros são: afastar-se de multidões, manter distância social de pelo menos 1,80 m e o quarto é tentar evitar bares e outros locais que possam ser fontes de transmissão. O último é manter medidas de higiene, como lavar as mãos com frequência.

Se essas cinco recomendações forem praticadas e isso está claro nos Estados onde isso foi feito, a curva de contágio poderá ser achatada.

BBC Me pergunto por que a pandemia foi tão politizada. É porque os Estados Unidos são um país extremamente polarizado…

Fauci Acho que qualquer pessoa que preste atenção aos EUA pode ver que há um certo grau de divisão política no país. É algo que, é claro, interfere, mas é apenas mais um fato do que acontece em nosso país.

Como cientista, claramente fico fora do debate político e concentro-me inteiramente em questões de saúde pública. Faço isso há mais de 40 anos e continuarei a fazê-lo. Minha mensagem sempre foi baseada nos dados científicos que tínhamos até então.

Uma das coisas que acho que confunde as pessoas é que não se entende que temos uma situação em constante evolução, pois estamos lidando com uma emergência de saúde com apenas seis meses de idade. Precisamos continuar aprendendo, procurando evidências. E as recomendações são feitas com base nas informações que possuímos, e é isso que causa mudanças nessas diretrizes à medida que obtemos mais dados.

BBC Como essa crise médica pode ser despolitizada para melhor gerenciá-la? O que o sr. aprendeu do que viu?

Fauci O que aprendi é que qualquer tentativa de se entrar no debate político é recebida como uma distração da principal mensagem de saúde pública. O que se deve tentar fazer individualmente e como sociedade é ter certeza de que entendemos que o inimigo aqui é o vírus, não há tempo para discussões políticas.

Temos um inimigo em comum, um inimigo global em comum. É uma pandemia histórica, não há tempo para se distrair com coisas que não estão relacionadas à luta contra o vírus.


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Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Com 541 mortes em 24 horas, Brasil tem 94 mil óbitos por Covid-19

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Sepultamentos no Cemitério Nossa Senhora Aparecida
Alex Pazuello/Semcom

Sepultamentos no Cemitério Nossa Senhora Aparecida

O CONASS (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) atualizou neste domingo (02) os dados da  Covid-19  no Brasil. O país registrou 541 mortes em 24 horas motivadas pela doença. O total agora é de 94.104. A taxa de letalidade se manteve em 3,4 %.

Nas últimas 24 horas, foram contabilizados 25,8 mil novos casos do novo coronavírus (Sars-CoV-2), totalizando 2,7 milhões de infectados. 

A contagem de casos realizada pelas Secretarias Estaduais de Saúde inclui pessoas sintomáticas ou assintomáticas; ou seja, neste último caso são pessoas que foram ou estão infectadas, mas não apresentaram sintomas da doença

Últimos dias

Na noite de ontem (01), o Ministério da Saúde registrou 1.088 mortes em 24 horas motivadas pela doença. Também foram registrados 45,3 mil novos casos.

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Fonte: IG SAÚDE

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